Estive em Campos do Jordão acompanhando o primeiro fim de semana do Festival de Inverno, daí minha ausência aqui no blog nos últimos dias. Mas estou de volta à carga. No final da tarde, coloco aqui o link para a matéria que escrevi sobre o festival, que será publicada amanhã no Caderno 2. Por enquanto, dou a dica de uma
entrevista feita por Humberto Pereira da Silva com o compositor Flô Menezes, publicada na revista virtual Trópico.
bacana, eu gosto muito desse festival, embora ache que esteja com um elenco muito repetitivo esse ano. beijos, pedrita
ResponderExcluirA respeito da entrevista de Flô Menezes:
ResponderExcluirNinguém é "forçado a venerar Villa-Lobos como o gênio nacional", é claro. Mas é uma simples questão de justiça reconhecer que o Brasil nunca produziu outro compositor tão completo.
A obra de Villa-Lobos é irregular, sim. Como todo compositor que escreve com extrema facilidade, o excepcional, em sua obra, se acotovela com o medíocre, é verdade. Isso acontece com outros autores do século XX (sem mencionar os prolíficos autores do Barroco ou do Classicismo). Eu citaria Dimitri Shostakóvitch, Bohuslav Martinu e Darius Milhaud, que são igualmente ecléticos e desiguais. Mas nem por isso questionamos a genialidade deles.
Na verdade, que outro compositor brasileiro praticou todos os gêneros -- inclusive a ópera -- com igual número de acertos? (a afirmação de Flô Menezes de que as peças medíocres superam as excepcionais não resiste, acredito, a uma simples avaliação aritmética).
Não são só as Bachianas e os Chôros, no domínio da música orquestral.
Os quartetos de cordas estão entre as coleções mais importantes do século XX.
E a música para piano tem verdadeiras preciosidades, entre elas, coisas como as Cirandas e o Guia Prático -- recentemente gravado pela Clara Sverner - que mapeam a riqueza melódica e rítmica do cancioneiro luso-brasileiro.
Há, na música de câmara, coisas de uma originalidade gritante, como o Noneto.
E o repertório das canções é um setor a ser ainda explorado com mais profundidade.
Sair em defesa de Villa-Lobos, a esta altura do campeonato, é chover no molhado, eu sei. Só queria dizer que não preciso fazer esforço algum para me orgulhar de o Brasil ter produzido um artista dessa estatura.