segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

thérèse raquin - crítica


Anne Midgette, do "New York Times", escreve sobre a estréia em NY de "Thérèse Raquin", de Tobias Picker. Para ler, clique aqui.

2 comentários:

  1. Tobias Picker é um dos compositores americanos mais talentosos da atualidade. Aluno de Elliot Carter e Milton Babbitt, ele é um desses serialistas convertidos, que optaram pelo neo-tonalismo: e o ponto de virada é, sintomaticamente, a "Sinfonia nº 2", que termina com um poema de Goethe chamado "Aussöhnung" (Reconciliação), acenando para a fusão do tonal-atonal, em nome da capacidade de se comunicar mais diretamente com o público. Picker tem uma obra instrumental respeitável: seu concerto para piano "Keys to the City" é uma bela peça. Mas ele é, principalmente, um operista de mão cheia:
    "Emmeline", baseada em um fato real ocorrido nos EUA na década de 1820, é uma interessantíssima versão moderna do mito de Édipo: a história de uma mulher ainda jovem que, sem o saber, casa-se com o filho que tivera na pré-adolescência;
    "The Fantastic Mr. Fox", a fábula ecológica sobre os animais que defendem seu meio-ambiente da estupidez predatória dos seres humanos, é uma deliciosa ópera para crianças grandes e pequenas;
    "Thérèse Raquin" é a versão moderna de uma ópera verista, de extrema força dramática, e uma bela "singer's opera";
    finalmente, "An American Tragedy", baseada no romance de Theodor Dreiser que inspirou o filme "Um Lugar ao Sol", foi encomendada pelo Met e estreada no ano passado; é um modelo daquilo que a ópera contemporânea pode ser, utilizando uma linguagem que não é passadista e superada, mas que tampouco aliena o público com seu radicalismo de experimentação.
    Picker é um autor que merece ser conhecido. Há gravações comerciais de "Emmeline" e de "Thérèse Raquin"; e circula na Internet a transmissão radiofônica da "Tragédia Americana", direto do Met. São títulos essenciais para entender o que anda acontecendo hoje com a ópera.

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  2. Pode-se bem dizer que, desde o frisson causado pela estréia de "Turandot", nunca o mundo da ópera esteve tão agitado e movimentado.

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