
O britânico "The Guardian" traz uma entrevista com o compositor norte-americano Phillip Glass, que completa 70 anos em 2007. O áudio da conversa entre ele e o jornalista Andre Clements é ilustrado por imagens da produção da ópera Satyagraha, em cartaz em Londres. No blog de Clements, você encontra também comentários do jornalista sobre os bastidores da entrevista e algumas de suas impressões sobre a música de Glass.
Ouvindo a música de Philip Glass, tive freqüentemente a sensação de que ela funciona bem como trilha sonora -- e, por isso, tendo a achar que uma de suas partituras mais bem-sucedidas é a composta para "Koyanisqatsi". Tenho uma certa dificuldade em acompanhar a música abstrata de Glass: o "Concerto para violino", por exemplo. Minutos depois de iniciada, dou-me conta de que minha atenção está à deriva. Até mesmo as óperas -- "Satyagraha", "Akhenaton" ou "The Voyage" -- são uma experiência penosa quando ouvidas apenas, em gravação, sem as imagens do espetáculo (as encenações opulentas que se costuma fazer de suas óperas ajudam muito). Das óperas de Glass, a que melhor impressão me causou foi "La Belle et la Bête", talvez justamente pelo fato de ele ter condicionado a sua música ao ritmo dos diálogos do filme de Jean Cocteau, o que a torna mais ágil e levemente menos repetitiva.
ResponderExcluirNa verdade, comparada às óperas de Ph. Glass, "The Death of Klinghofer", de Johan Adams, tem um encadeamento dramático e uma variedade de tom, dentro dos parâmetros restritos do minimalismo, que a torna mais interessante, para mim pelo menos. De uma maneira geral, aliás, acho Adams um compositor mais estimulante do que Glass. Essa -- de que maneira reagem ao minimalismo em geral, e à música de Glass em especial -- é uma pergunta que eu gostaria de propor aos freqüentadores deste blog. Fico curioso em saber como eles se colocam a respeito dela...
Glass e Adams frequentam a minha discoteca mais pela necessidade da informação do que pelo prazer. Como o Lauro, acho que a música do Glass depende muito da motivação visual, dele - como compositor - e dos ouvintes. A única ópera dele que enfrentei seriamente, Akhenaton, me parece interessantíssima nas notas do libreto, mas dificilmente passo da 1a metade do 1o CD; a repetição das células musicais e a alteração mínima de andamento e as modulações muito demoradas me dão a sensação de "tempo parado" que talvez seja o efeito desejado por ele em se tratando de um tema de profundo significado religioso, com mais de 3000 mil anos de separação entre o acontecido e nossa época.
ResponderExcluirNunca tentei ouvir A morte de Klinghofer sem o suporte daquele filme, editado pela Decca. Quando o vejo, me esqueço da música e me concentro nas imagens... Portanto, no meu caso, Glass e Adams produzem o mesmo efeito: a música, depois de alguns compassos, me cansa completamente.
Ou seja, Renato, o Philip Glass é um daqueles compositores nos quais a bula é muito mais interessante do que o remédio.
ResponderExcluirVocês pensam que sabem tudo não é mesmo? Cresçam e apareçam. Cheguem a 1/100 do que Glass chegou... críticos ora bolas, tão fácil criticar rs. FAÇAM!!!
ResponderExcluirA musica de Glass precisa de uma escuta direcionada, exige uma limpeza nos ouvidos de todos os moldes existentes na linguagem musical. Ele inventou a dele.
ResponderExcluirOpniões "conservadoras" são interessantes.
Quanto a visualidade, é completamente desnecessaria, necessario é abstrair-se no gesto sonoro.