sexta-feira, 23 de março de 2007

essas pessoas

"Elas precisam ser controladas porque, quando começam, não páram.... Eu chamo a atenção dessas pessoas não porque sou um sádico ou porque quero restringir suas liberdades individuais mas porque quero tocar o melhor possível e, quando as pessoas tossem ou fazem barulho, me deixam nervoso. Isso me incomoda, diminui a qualidade do meu trabalho”, diz o pianista Alfred Brendel, em entrevista à agência Reuters. Para ler a íntegra, clique aqui.

ópera pelo mundo

A soprano Ainhoa Arteta durante ensaio geral, ontem, de uma nova produção do "Diálogo das Carmelitas", de Poulenc, que estréia hoje no Palácio Euskalduna de Bilbao.



O tenor argentino Raul Gimenez durante ensaio da ópera "La Pietra del Paragone", de Rossini, no Teatro Real de Madri.


O tenor Plácido Domingo como Siegmund durante ensaio, quarta-feira, de "A Valquíria", no Kennedy Center de Washington.

O tenor Danilo Formaggia e a soprano Laura Rizzo durante ensaio, na quarta-feira, da produção do teatro São Pedro para "Lucia di Lammermoor", de Donizetti.

entrevista com john neschling

Ainda a propósito da turnê da Osesp: o maestro John Neschling deu uma entrevista a Jamil Chade, correspondente do "Estadão" na Suíça, publicada ontem no jornal. “O governo não tem berço. E me refiro à falta de berço cultural. Não há uma compreensão da importância do fortalecimento das orquestras e falta conhecimento no governo sobre a importância da música erudita. Há poucos meses, as orquestras do País se reuniram em uma liga nacional. Durante o primeiro encontro, tivemos a presença do ministro da Cultura Gilberto Gil. Ele reconheceu que o primeiro mandato do governo Lula não fez muito pelas orquestras. Mas prometeu que novas iniciativas seriam lançadas neste segundo mandato”, diz o maestro. Para ler a íntegra da entrevista, clique aqui.

são pedro - abertura

No Estadão de hoje, matéria que escrevi sobre a abertura da temporada do Teatro São Pedro, com recital da soprano Mariola Cantarero (hoje) e montagem da ópera "Lucia di Lammermoor", de Donizetti (amanhã).

no olho do furacão

Leonardo Martinelli faz no seu blog Outra Música uma gostosa crônica da apresentação da Osesp em Viena, do ponto de vista de quem esteve nos estúdios da rádio Cultura em São Paulo para comentar a transmissão ao vivo. Vale a leitura.

philidor tom jones

Do Lauro: Se você joga xadrez, certamente conhece a abertura Philidor. Mas nem todo fã de ópera conhece as óperas escritas por François-André Danican Philidor. O mestre enxadrista Philidor era também compositor (ou seria o contrário?) e, juntamente com Monsigny e Grétry, foi um dos renovadores do opéra-comique seiscentista. A ópera mais famosa de Philidor, com libreto de Poinsenet e Sedaine, é “Tom Jones”, baseada no romance do inglês Henry Fielding. Estreada com enorme sucesso na Comédie Italienne em 27 de fevereiro de 1765, essa ópera, de extrema vivacidade, estava injustamente semi-esquecida. É, portanto, uma belíssima iniciativa do selo Dynamic lançar, em DVD, o espetáculo regido recentemente por Jean-Claude Malgoire no Opéra de Lausanne. O órfão trambiqueiro Tom Jones só consegue casar-se com a aristocrata Sophia Wester, a quem ama, quando se descobre que ele é de nobre linhagem. Há experimentações desusadas para o gênero, como um quarteto de empregados bêbados, em forma canônica, sem acompanhamento orquestral; e um septeto, no fim do ato III, que é um típico concertato psicológico, de corte mozartiano, em que cada personagem expressa sua reação pessoal diante dos fatos. Numa época em que esse tipo de morceau d’ensemble era escrito em uníssono – isto é, com todas as personagens externando a mesma emoção – essa página é muito inovadora. Destacam-se também a ária de caça do pai de Sophia, “D’un cerf dix cors”, com virtuosístico acompanhamento de trompas; o dueto “Ah, mon père!”, em que Sophia enfrenta a ira de Western, quando este descobre que ela está namorando Tom; ou a longa ária da moça, “Respirons un moment”, na cena da taberna, no ato III.

o outro don giovanni

Do Lauro: Quando Mozart recebeu, em 1780, a encomenda, de Pasquale Bondini, diretor do Gräflich Nöstitzschestheater de Praga, de compor uma ópera para a temporada seguinte, deu carta branca a Lorenzo da Ponte para escolher o tema do libreto. Mas Da Ponte estava, como de hábito, cheio de trabalho, com pouco tempo disponível, e resolveu a coisa da maneira mais simples: reescreveu, em dois atos, o libreto que, no ano anterior, Giuseppe Bertati redigira, em Veneza, para “Don Giovanni ossia Il Convitato di Pietra”, de Giuseppe Gazzaniga – uma apropriação do bem alheio que não era vista como plágio, durante o Barroco e o Classicismo. É verdade que a nova versão da peça de Bertati/Gazzaniga é de um grau de elaboração extraordinário do ponto de vista do texto, e sobretudo da música. Mas se o “Don Giovanni” de Mozart não existisse, a ópera de Gazzaniga seria um exemplo honesto do melodrama clássico pois, dentro de suas características próprias, é uma partitura bem escrita, com qualidades sólidas – tanto que já foram feitas dela duas gravações nos selos Sony e Orfeo. O DVD que o selo Bongiovanni acaba de lançar é uma boa maneira de conferir o outro “Don Giovanni”. A filmagem foi feita no Teatro Donizetti de Bérgamo, sob a regência de Pierangelo Pelucchi; e o diretor de cena é Alessio Pizzecchi. Os cantores – Roberto Juliano, Linda Campanella, Maurizio Leoni, Cristina Mantese – não são nomes familiares para mim; mas no circuito provinciano italiano têm surgido cantores muito interessantes.

terça-feira, 20 de março de 2007

encontrado piano de chopin

Um piano Pleyel que pertenceu a Frederic Chopin foi descoberto em uma casa de campo no sul da Inglaterra. O piano, utilizado pelo compositor em sua última turnê, faz parte da coleção de Allec Cobbe, colecionador de pianos antigos, que o comprou por apenas duas mil libras, sem saber da história do instrumento, encontrado e identificado pelo pesquisador Jean-Jacques Eigeldinger. Especialistas acreditam que agora será possível ter idéia precisa de como soavam os instrumentos que Chopin tinha a sua disposição na época que escreveu suas obras. Mais informações, no site do Times, que oferece a oportunidade de ouvir uma gravação feita no piano.

entrevista com rodrigo esteves

No Estadão de hoje, entrevista que fiz com o barítono Rodrigo Esteves, que está lançando disco de canções e interpreta Enrico a partir de sábado na "Lucia" do Teatro São Pedro.
“Ele começou a cantar, ainda na adolescência, imitando o que ouvia nos LPs do Queen e dos Secos e Molhados. Teve, em seguida, a fase ‘um banquinho e um violão’, cantarolando e arriscando composições próprias para, logo depois, criar uma banda, a Azul Limão - heavy metal pesado, com direito a cabelão, ‘roupa sempre preta, bastante couro, anéis, tudo a que tinha direito’. Quem imaginaria que o carioca Rodrigo Esteves (que até pouco tempo dividia a música com a praia, pegando onda) se tornaria um dos principais cantores líricos de sua geração, com uma carreira internacional que nos últimos anos tem se estendido ao Brasil, onde ele lança neste fim de semana seu primeiro disco, uma coletânea de canções de autores espanhóis, brasileiros e americanos? Seu próximo passo de sua carreira será dado no fim da tarde de sábado, quando ele subir ao palco para participar da abertura de temporada do Teatro São Pedro, como Enrico em nova produção da ópera Lucia di Lammermoor, de Donizetti.” Continua aqui.

segunda-feira, 19 de março de 2007

morre o musicólogo julian budden

A notícia é do início de março, mas só agora fiquei sabendo - morreu no dia 28 de fevereiro, o musicólogo inglês Julian Budden. Ele estava com 82 anos e a causa da morte não foi divulgada. Seus três volumes sobre Verdi são leituras obrigatórias - sua biografia do compositor também foi bastante elogiada, mas não a conheço, assim como só ouvi falar de seu volume sobre Puccini. Para ler o obituário do "Guardian", clique aqui; para acessar o texto do "Times", clique aqui.

domingo, 18 de março de 2007

o piano, de cage a milton nascimento

Matéria de João Marcos Coelho, publicada na edição de hoje do "Cultura", do Estadão:
"O piano preparado de John Cage (1912-1992) é uma das provas de que a necessidade é a mãe, se não de todas, pelo menos de algumas das mais instigantes invenções humanas. E o (ou a?) pianOrquestra de Cláudio Dauelsberg é a prova provada de que não há mesmo mais limite algum entre os diversos adjetivos idiotas que seccionaram a música desde meados do século 19, quando a ascensão do mercado provocou a cisão entre música de invenção e música de entretenimento (ou música clássica ou erudita, e música popular). Podem chamar nossa realidade atual do que quiserem – pós-moderna, transmoderna, etc.,etc. O importante é que nem pensamos mais neste tipo de barreiras: a música hoje ou é boa ou é ruim. E o piano, preparadíssimo e atualíssimo, é a estrela principal de dois DVDs que estão sendo lançados praticamente ao mesmo tempo. O primeiro, no mercado internacional, intitula-se “John Cage: the works for piano 7”, com Margaret Leng Tan” (existe uma versão em CD, consulte o site www.moderecords.com). O segundo sai aqui no Brasil mesmo, e intitula-se “PianOrquestra – dez mãos e um piano preparado”, com direção artística de Cláudio Dauelsberg, e já está nas lojas."... Continua aqui.

joyce hatto, ainda

"O que você sabe pode afetar o que você ouve? Suas impressões sobre uma peça mudariam se você achasse que ela estava sendo tocada por Arthur Schnabel e depois descobrisse que, na verdade, tratava-se do trabalho de um pianista talentoso da nova geração, como Leif Ove Andsnes?", pergunta Anthony Tommasini, do "New York Times", em artigo na esteira da polêmica que envolveu as gravações da pianista Joyce Hatto, na verdade, registros de outros pianistas atribuídos a ela por seu marido e produtor. Para ler, clique aqui.

die aegyptische helena no met


Foto da nova montagem de "Die Aegyptische Helena", de Richard Strauss, no Metropolitan Opera House, de Nova York, estrelada por Deborah Voigt e Diana Damrau. Para ler a crítica do "New York Times", clique aqui.

morre o tenor ernst haefliger

Morreu no sábado em Davos, na Suíça, o tenor Ernst Haefliger. Conhecido por seu trabalho como recitalista e pela interpretação em óperas de Mozart, em especial "A Flauta Mágica", ele estava com 87 anos e foi vítima de uma parada cardíaca. Principal tenor lírico da Deutsche Opera de Berlim entre 1952 e 1972, posto que passou a ocupar depois de temporadas no elenco da Ópera de Munique, Haefliger era também presença constante nos principais festivais do mundo, como os de Glyndebourne, Lucerna e Salzburgo. Gravou para os principais selos obras de um leque amplo de compositores, de Bach e Beethoven a Janácek e Mahler. Para mais informações, clique aqui.

sexta-feira, 16 de março de 2007

masterclasses de jorge bolet

No You Tube, vídeos com masterclasses de Jorge Bolet, que orienta pianistas na interpretação do “Concerto nº 3 para Piano e Orquestra” de Rachmaninoff. Entre os alunos, Ira Levin e Jose Feghali, novinhos, novinhos. Para assistir, clique aqui.

entrevista com rené pape

O baixo René Papel deu uma entrevista em que fala de diversos assuntos - entre eles, o papel de Felipe II, no "Don Carlo" de Verdi, que ele interpreta ao longo desta temporada no Metropolitan. Para ler, clique aqui.

met na internet

Um dos credos do novo diretor do Metropolitan de Nova York, Peter Gelb, é a necessidade, para ele fundamental, do teatro entrar para a era da tecnologia: exibições em cinemas espalhados pelos EUA e transmissões de vídeo e áudio pela internet são alguns dos exemplos concretizados até agora (para mais detalhes, leia aqui o artigo publicado no site do teatro). Outra novidade: blogs em que o elenco de novas produções coloca suas impressões sobre o processo de trabalho. O referente a "Os Mestres Cantores de Nuremberg", de Wagner, você acessa aqui.

atuação em ópera

"Há uma nova ênfase na atuação em ópera?. Os cantores de hoje, é verdade, cresceram vendo ópera na televisão e vivem em uma cultura obcecada pela imagem. Eles também trabalham cada vez mais com diretores de teatro e cinema. É típico: conservatórios tendem a não oferecer aos estudantes de canto aulas de atuação; mas atores de teatro às vezes são levados a trabalhar com cantores em workshops de ópera", escreve Anthony Tommasini no "New York Times", discutindo a atuação em ópera a partir do desempenho do barítono Petter Mattei no "Barbeiro de Sevilha" do Metropolitan Opera House. Para ler, clique aqui.

para que serve?

A idéia é interessante e assustadora ao mesmo tempo. Uma empresa especializada em tecnologia resolveu recriar gravações clássicas. Não, nada de limpar chiados, remasterizar, corrigir erros, etc, etc, etc. Com ajuda de um computador, o objetivo era pegar gravações e decodificar o modo como foram feitas – com que força a tecla do piano foi tocada, quão para baixo o pedal foi pisado, quando cada dedo se moveu e assim por diante. Isso feito, um outro computador foi acoplado a um piano. E passa a ele todas aquelas informações. O teste foi feito esta semana, nos EUA, com a gravação de 1995 das Variações Goldberg, feita por Glenn Gould. Em outras palavras, ali, na frente de todo mundo, a gravação foi reinterpretada ao vivo. E gravada novamente – o CD sai em maio pela BMG Masterworks. Se entendi direito, será o lançamento de uma gravação contemporânea de Glenn Gould feita sem que ele tenha se sentado ao piano. Aí pergunto: para que precisamos de uma gravação desse tipo que, aliás, é igualzinha àquela que nós já temos em casa? É apenas uma pergunta em um tema que me parece ser muito mais amplo, envolvendo questões muito mais sérias. Quem quiser saber mais sobre o projeto, pode ler sobre ele no New York Times e no Washington Post.

nova sala de concertos

A New World Symphony revelou esta semana os desenhos do arquiteto Frank Gehry para sua nova sala de concertos, que será construída em Miami Beach, Flórida, EUA. O valor da obra? US$ 90 milhões, a serem pagos por um doador anônimo. Para ver as imagens e detalhes sobre o projeto, clique aqui.