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segunda-feira, 26 de novembro de 2007
rio (3)
Um pouco sobre a "Carmen" do Municipal. Achei a concepção cênica, com projeções em preto e branco, em contraste com eterno vermelho que acompanha as montagens da ópera, sem graça, pouco original, sem interferir muito na compreensão do espetáculo. Mas o problemático mesmo é a orquestra. Dá para ter uma boa idéia da enormidade do trabalho que espera o novo regente. O desempenho é muito desigual. Em uma versão em concerto, sem cenários e figurinos, a orquestra ganha importância ainda maior na construção dos climas, na descrição das cenas. O que se ouviu, no entanto, foi uma interpretação sem contrastes, com desequilíbrio entre naipes, com a orquestra atravessando os cantores a torto e a direito e matando toda a transparência da partitura de Bizet. Restou aos cantores conseguir segurar a apresentação - e saíram-se todos bem, dentro do possível imposto pelas condições, afinal, sem cenários e figurinos e com a orquestra para atrapalhar, fica difícil...
domingo, 25 de novembro de 2007
rio (2)
O guia "Viva Música!" estampou este mês uma foto do maestro Roberto Minczuk com o Cristo Redentor ao fundo e uma manchete que diz: "O Rei do Rio". Nos corredores da OSB, entre os músicos, a piada é a seguinte: "Você viu a foto? Quem é aquele de braços abertos atrás do Minczuk?". Não dá para escapar: o assunto do momento, por aqui, é a decisão do maestro de, além da direção da Sinfônica Brasileira, assumir a direção musical e regência do Teatro Municipal. Conversei com músicos e membros do público e ninguém questiona a capacidade do maestro de desenvolver um bom trabalho, apesar do receio com o acúmulo de funções e a falta de tempo que ele pode gerar. A pergunta que se ouve muito é outra: para que assumir o teatro? O fato é que, apesar da escolha de uma nova direção para a casa, ninguém parece acreditar em uma solução simples para o Municipal. As dívidas, a burocracia, a necessidade urgente de reformas, tudo isso visto em conjunto com a ausência nos últimos anos de um projeto artístico consistente para a orquestra (que está sem regente titular há quase dois anos), parece levar a um clima de descrença generalizada. Nesse sentido, o que se coloca é que as condições de trabalho, nos próximos anos, estarão muito longe das ideais - e isso pode impedir a concretização dos planos que o maestro começa a preparar. Nessa linha de pensamento, assumir o teatro seria, para Minczuk, um risco desnecessário, a possibilidade de sujar um currículo até agora impecável, que tem concertos como regente convidado em importantes orquestras internacionais e já conta com a reabilitação da OSB. Bom, repórter que sou, levei esses questionamentos ao próprio Minczuk. Ele sabe dos riscos que corre. Não acredita que o acúmulo de funções será um problema. Diz acreditar que tem uma responsabilidade, como brasileiro, com as instituições do País e foi convocado a ajudar na reestruturação do teatro. Não poderia dizer não. "Acabei de completar 40 anos, poderia estar morando nos EUA com minha família, vivendo uma outra vida. Mas optei não deixar o Brasil. Foi essa a minha escolha. E vejo a vida musical do Rio em um momento interessante, de recuperação da auto-estima. É essa a hora da transformação", disse. Em termos práticos, ele discorda do clima de pessimismo e diz acreditar que há um momento propício à recuperação do teatro. Há vontade política de uma gestão na qual ele acredita. Mais do que isso: em 2009, o Municipal completará 100 anos - e a data vai servir para que se concentre esforços na revitalização do teatro. Hoje, assisto "Carmen". A regência é de Silvio Viegas, com participação de Céline Imbert, Fernando Portari, Rosana Lamosa e Stephen Bronk. Voltamos a nos falar.
sábado, 24 de novembro de 2007
rio (1)

Cheguei agora há pouco no Rio para um fim de semama de música - hoje tem Orquestra Sinfônica Brasileira no Municipal com a pianista Joyce Yang e o maestro Roberto Minczuk (Tchaikovski e Mozart) e a trinca O Diário do Desaparecido (Janácek), Savitri (Holst) e Uma Educação Incompleta (Chabrier), dirigidas por André Heller, no CCBB; amanhã, mais Municipal, com "Carmen" em versão de concerto, a primeira produção da nova gestão do teatro, para marcar os 20 anos de carreira de Céline Imbert. Entre hoje e amanhã, vou atualizando vocês. Por enquanto, deixo essa imagem do Municipal nas primeiras décadas do século 20. É engraçado, não vivi essa época mas, ainda hoje, é esse o Rio que eu vejo sempre que passo por aqui. A paisagem, claro, mudou. Mas de alguma forma fica em mim a memória não vivida de um Rio de ontem, perdido e cristalizado no tempo. Não sei se faz sentido. Provavelmente não.
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