quarta-feira, 28 de novembro de 2007

caça ao intérprete

Você já ouviu falar na Philharmonia Slavonica, na Camerata Romana, nos regentes Alberto Lizzio e Alfred Scholz? Euterpe e Clio dá uma boa dica de artigo encontrado na internet - o texto fala sobre aqueles intérpretes fantasmas, ou seja, as orquestras e solistas fictícios criados por selos pequenos para disfarçar a utilização de gravações comerciais e, assim, fugir do pagamento dos direitos autorais. Alguns comentários já foram feitos pelo Lauro no post abaixo sobre a "Carmen".

5 comentários:

Euterpe e Clio disse...

Olá Lauro, olá João Luiz. Pois é, também sugiro a leitura deste outro texto:

http://www.abruckner.com/editorsnote/editorsnote/

Leiam principalmente o sexto parágrafo. Na mesma página há também uma seção com o nome "Discographic Horrors" que é bastante interessante, embora não comente especificamente esse problema de que tratamos.

Mas é mesmo muito curioso que alguém possa inventar nomes livremente e usá-los assim!
Outro nome de maestro que aparece em muitos desses cds é o de Anton Nanut. Ora, nós sabemos que este existe mesmo, é um esloveno que esteve no Rio não faz muito tempo. Mas o artigo diz que gravações atribuídas a ele podem não ser suas, na realidade. Isso é ainda mais estranho. Mas eu queria ouví-los um pouco mais sobre a responsabilidade das gravadoras que lançam mão desse material. Afinal, os cds dessa série Gala (GrandGala) da Movieplay, citados pelo Lauro, podem ser comprados até nas nossas maiores lojas!

Um abraço,
Fernando Berçot.

machadocoelho disse...

Olá, Fernando/Euterpe,
obrigado pela dica do site sobre Bruckner. Gostei muito dos "Discographic Horrors". Como bruckneriano doente, tenho algumas daquelas coisas esquisitas -- a gravação do HvK em que nunca entendi por que falta um pedaço da coda; ou o Colin Davis da Orfeo com aquela inexplicável troca na ordem dos movimentos da Sétima (maestros, até mesmo os melhores, às vezes se saem com essas propostas estranhas: na versão das "Quatro Últimas Canções" de Strauss com Lisa Della Casa, também Karl Böhm altera a seqüência das canções!).
De fato Nanut não é um maestro fantasma. Naquele Guia a que me referi, isso era mencionado, quando fazíamos a análise de sua gravação da Quinta de Mahler, que é bastante honesta.

Euterpe e Clio disse...

Pois é, agora vejam que curioso! Vasculhando meus cds, encontrei duas gravações do Concerto no. 1de Paganini com esses fantasmas. Em uma o concerto aparece junto com Centone di Sonate, em outra aparece junto com o concerto em re menor de Tartini. Na primeira diz o seguinte sobre os intérpretes fantasmas:

Nikita Solovsky, violino
Philharmonia Slavonica
Alberto Lizzio.

Na outra:
Iwan Czerkow, violino
Camerata Romana
Eugen Duvier.

Transferi para o computador o terceiro movimento de cada uma das gravações, e abri-os com o auxílio de um programa de um editor digital de audio. A análise não me deixou praticamente nenhuma dúvida: são a mesma gravação. As faixas têm durações diferentes por causa de um silêncio maior no final de uma delas. O tempo é o mesmo, impressionante ver a análise dos espectros. A única diferença é o volume das faixas, que em uma gravação está mais alto que em outra.

Outra coisa, o primeiro movimento (Allegro maestoso) aparece nessa gravação de forma bem diferente do que nas outras gravações que eu já ouvi. Não aparece nelas um tutti que normalmente se ouve logo após os acordes da introdução. Provavelmente há mais de uma versão editada desse concerto. Não sei se é esse o caso aqui, ou se houve alguma espécie estranha de edição do audio.
Enfim, pode-se esperar de tudo.

machadocoelho disse...

Fernando, você -- que, pelo visto, pertence ao clube dos brucknerianos -- conhece a gravação da Sétima com Yannick Nézet-Seguin e o Orchestre Métropolitain du Grand Montréal? É um CD do selo Atma, que deve ser canadense. Fiz o download do site emusic apenas porque nunca tinha ouvido falar no regente -- pelo nome ele deve ser franco-turco -- e eu sou um colecionador compulsivo de gravações da Sétima de Bruckner. Pois fiquei surpreso com a qualidade da interpretação. Há alguns traços muito pessoais na maneira como Nézet-Seguin faz a sinfonia. E para um regente desconhecido -- para mim, pelo menos -- enfrentar tão bem uma peça desse porte é uma proeza. Se você não o conhece, é um registro que eu recomendo.
Um abraço.
Lauro.

Euterpe e Clio disse...

Não, nunca ouvi falar. Também tenho que reconhecer que não sou um grande colecionador.
Muito obrigado pela dica, vou procurar saber mais, sobre ele e sobre o selo, que também desconhecia. Aliás, acabei de ver a capa do disco na página dele. Também diz que ele vai assumir a direção musical da Filarmônica de Rotterdam no ano que vem.
Um abraço.