quarta-feira, 19 de setembro de 2007

em poucos segundos


Ainda sobre o "Cavaleiro da Rosa". Agora à noite estava ouvindo o trio final com o Regine Crespin, Yvone Minton (não me lembro quem é a outra soprano), regência do Solti. E fiquei repetindo aqueles primeiros momentos, a primeira frase da marechala, o instante em que as vozes começam a se sobrepor....não sei se acontece com vocês também mas, às vezes, há tanta beleza em momentos como esse que é como se você pudesse viver toda a sua vida naqueles poucos segundos....

6 comentários:

Pedrita disse...

adoraria ver o cavaleiro da rosa montada no brasil. beijos, pedrita

Mauricio Poletti disse...

Sem duvida João... alguns momentos valem uma vida... ahhhh....

http://www.youtube.com/watch?v=z5ILG8OctGg

Lauro Machado disse...

O trio do Cavaleiro da Rosa, para mim, faz parte daquilo que eu chamo de "a síndrome do arrepio": aquele coisa que você conhece de trás pra diante, sabe de cor mas, toda vez que ouve de novo, se arrepia da cabeça aos pés e fica com um caroço de abacate atravessado na garganta.
A Sophie é a Hellen Donath, João.
Mas, como eu te disse outro dia, eu lamento que não tenha sido feita completa a gravação de trechos do Silvio Varviso, com a Régine Crespin, o Octavian da Elisabeth Söderström e a Sophie da Hilde Güden. A Crespin consegue estar ainda melhor do que na gravação do Solti, si c'est possible.
Alguns momentos valem uma vida inteira, Maurício. É o que dizia Proust com "la petite phrase" da sonata de Vinteuil.
Ver o "Cavaleiro da Rosa" encenado é o meu sonho também, Pedrita. Deus te ouça.

Renato disse...

não vou chover no molhado; contudo, há muito venho refletindo sobre um aspecto muito peculiar da ópera (somente nela percebo esse fenômeno): a capacidade que alguns trechos têm (evidentemente por obra e arte de seus libretistas e compositores) de suspender as dimensões de "tempo" e de "espaço" e de nos transportar para uma nova dimensão talvez próxima à sensação da plenitude; o trio do RK é um desses momentos, o quinteto dos Mestres Cantores, o dueto Eneas/Dido dos Troianos, o quinteto da Cenerentola, o dueto Pamina/Papageno da ZF , são outros; parece que eles, ao memso tempo duram um átimo e uma eternidade... é muito estranho!

Lauro Machado disse...

E o "Mir ist so wunderbar" da Marcelina, no Fidélio, Renato? De um modo geral, os adágios de Beethoven -- e os de Bruckner -- têm esse efeito mágico de te transportar para um "no man's land" em que tudo parece perfeito.
Lembra-se do momento, em "Manhattan", em que a namorada pergunta a Woody Allen o que faz a vida valer a pena, e ele responde: "A música de Mozart"?

Anônimo disse...

Lauro,

Quem vc acha que é o Vinteuil?
Além da Sonata, ele (o Proust) também cita um septeto. Depois disto fiquei com a impressão de ser Saint Saens, devido ao septeto maravilhoso. É claro que o Proust pode ter feito a sacanagem de "misturar" mais de um compositor, aí a teoria não funciona.

Quanto aos momentos "ahhhhhhh..." outro dia achei uma gravação do ganso, pegando o gancho do Saint Saens, Carnaval dos animais, com a Jacqueline Dupret. É de escutar ajoelhado...