segunda-feira, 10 de setembro de 2007

legados

Tinha prometido a mim mesmo que evitaria, aqui, de discorrer em análises sobre a carreira de Pavarotti – afinal, nos últimos dias, gente muito mais qualificada do que eu já publicou, em todo o mundo, textos, ensaios, artigos, enfim, sobre sua carreira e sua contribuição à ópera. Agora há pouco, no entanto, Flávia Guerra, minha colega de Caderno 2, me parou no corredor para perguntar, qual seria, na minha opinião, o legado de Pavarotti. Confesso que fiquei em dúvida. Todos nós conhecemos suas grandes gravações do auge da carreira. Mas a Flávia falou em Maria Callas, de quem, no dia 16, completam-se 30 anos de morte. Callas, acredito, mudou nossa percepção da interpretação, dos próprios limites da voz e das possibilidades expressivas do repertório. Mas, pensando, em Pavarotti, me pergunto se ele teria deixado legado semelhante. Fico inclinado a dizer que não. Foi indiscutivelmente um grande tenor. Mas será que em algum momento ele teve uma interpretação capaz de mudar os rumos do gênero? Repasso a pergunta a vocês.

3 comentários:

pedrita disse...

paralelo maria callas-pavaroti. bom, eu analiso como o autor do código da vinci e umberto eco. código da vinci trouxe à tona uma infintidade de suposições sobre jesus cristo, enquanto os livros de umberto eco, que é historiador, são muito aprofundados, mesmo seus livros de ficção como baudolino e o nome da rosa. umberto eco mal é lido porque suas obras são densas e complexas, portanto ele não é tão palatável e nem tão famoso. enquanto um livrinho de suspense com suposições jogadas sobre a vida de jesus cristo é best-sellers, mas isso não significa que tenha a qualidade das obras de umberto eco, mesmo tendo seu valor comercial. beijos, pedrita

Renato disse...

Acedito que qualquer generalização sobre Pavarotti mascara a possibilidade de avaliar a sua verdadeira contribuição ao teatro lírico; em sua longa carreira (de 1961 a 2004, nos palcos - 43 anos), é possível discernir vários períodos e, em pelo menos um deles, o seu legado tem enorme importância para o conhecimento da ópera pois ele ajudou na reinvenção do tenor lírico, típico do bel canto, adaptado à estética e às exigências técnicas do tenor de Bellini, de parte da obra de Rossini (como se sabe, Rossini escreveu para pelo menos três diferentes tipologias de tenor ), de Donizetti e , por extensão, do primeiro Verdi.

Penso que, no futuro, passada a comoção de hoje, ele será lembrado como o tenor que - ao lado de sopranos como Callas, Sutherland, Gencer, Sills, Caballé - permitiu o bel canto ser revivido depois de 1950. E isso não é pouco não....

Anônimo disse...

Concordo com o Renato , mas acho que a contribuição de Pavarotti é bem maior. Podemos achar absurda a forma como ele , de alguns pra cá, "abusou" de seus fans gastando sua voz com aquele tipo de "música"; mas é certo que isso fez com que, provavelmente, alguns milhões de pessoas olhasse com outros olhos, não necessariamente bons, para o mundo da ópera. Extravagancias a parte, amado ou odiado, Pavarotti foi e é grande. E acho tb que não vale a comparação com Callas. abraços