quarta-feira, 30 de maio de 2007

corigliano em são paulo


O compositor norte-americano John Corigliano está em São Paulo, onde acompanha de amanhã a sábado os concertos em que a Osesp interpreta obras suas (Torneios, Concerto para Clarinete e Sinfonia nº 1). Conversamos ontem e o Estadão publica amanhã a íntegra da entrevista, da qual adianto uma pequena declaração-aperitivo: "Chega de fundamentalismos. Vivemos na era da combinação. A internet nos dá acesso à música de todas as épocas, estilos, orientações, lugares. As referências se multiplicam cada vez mais. O interessante, nesta era de superinformação, é ver como cada compositor escolhe elementos e os combina. As escolas muito rígidas fecharam as portas da música, que passou a ser exclusividade de poucos, alheia ao mundo em que era criada. Mas vivemos um momento rico de possibilidades, à espera de que os jovens abram as portas e digam claramente: estamos aqui, estamos escrevendo e queremos fazer parte do mundo.”

5 comentários:

Anônimo disse...

o concerto foi AVASSALADOR. Histórico. Estou sem palavras...
Corigliano é genial.
Claro que os 'conservadores' abandonaram a sala logo depois da primeira parte(metade da platéia...) azar o deles!
Alberto

Poletti disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Poletti disse...

Como o Alberto disse, acima, o concerto foi Magnífico. De tirar o fôlego. Foi ouvida Grande Musica... Musica de imensa qualidade na Sala São Paulo. E são peças extremamente difíceis. Trabalho da orquestra foi fenomenal. O solista no concerto para clarinete simplesmente magnífico e a sensação dos instrumentos espalhados pela sala foi incrível. Que coisa Maravilhosa... Moderna... instigante... Sai da sala ainda com a vibração da composição. Corigliano é Genial e a Orquestra seus regentes e solista estão de Parabéns.

joãosampaio disse...

alberto, poletti, valeu pelas informações sobre o concerto do corigliano. por conta da vinda ao rio, não poderei assistir. então, quem esteve lá, por favor, conte tudo, ok? abs

Poletti disse...

Foi realmente maravilhoso João. E e impressionante ver como a orquestra conseguiu assimilar obras tão difíceis em tão pouco tempo. Após a execução de Torneios, o Maestro fez uma pausa para algumas explicações a respeito do que ouviríamos e para nos apresentar John Corigliano, que esteve presente quinta e sexta (e certamente estará no sábado). Muito simpático agradeceu aos aplausos e pareceu muito emocionado ao longo do concerto. O maestro salientou algo que achei ótimo. Ele lembrou que a parte mais fácil do concerto já tinha passado e que o mais difícil ainda estava por vir e para evitar a desconcentração e desmotivaçao da orquestra (concentração e motivação, absolutamente fundamentais para a execução dessas obras dificílimas) ele pediu que as pessoas evitassem sair no meio do concerto. Se não gostassem daquele tipo de musica que aguardassem até o intervalo e depois fossem embora. Esse comentário foi ótimo pq. me lembro bem da Turangalila e tb. da Sinfonia no. 13 e 14 de Shostakovich, onde as pessoas saíram aos montes no meio da obra... uma atitude horrivel.

Outra coisa que o nosso maestro Neschling comentou; pela grande exigência nos ensaios o Maestro dividiu com Victor Hugo Toro a regência, ficando para Victor a dificílima tarefa de reger o concerto para clarinete.

A obra é bastante moderna e extremamente inventiva. A força rítmica é muito clara. A percussão espalhada de ponta a ponta do palco provoca alguns efeitos interessantíssimos. Em determinado momento o som percorre de ponta a ponta em toda a percussão e depois retorna... cada instrumento apresentando seu timbre. No segundo movimento Cláudio Cruz com frases ternas, mas tristes... muito emocionante. O terceiro movimento é uma série de belas surpresas... Uma seqüência extraordinária de timbres usados com grande energia invade a Sala São Paulo. Efeitos nas cordas e nos metais com a energia rítmica por trás. Um diálogo assustador entre dois tímpanos, praticamente sozinhos em cantos opostos da Sala quando entram os metais e depois novamente nervosamente o clarinete....Até que temos um efeito extraordinário na sala... Trompas foram colocadas nos Camarotes; no Balcao Mezanino trompas e trompetes, Clarinetes nos balcões superiores. Essa disposição criou um efeito extraordinário de circulação de som. O Ovanir surpreende... uma habilidade... um virtuosismo fora do comum... em trechos de uma imensa dificuldade ele conseguiu tirar de letra. Nos momentos de grande emoção, principalmente no dialogo com o violino no segundo movimento, ele transferiu um grande sentimento para a musica. E Victor Hugo Toro... Reger essa peça não é pra qualquer um não.. O trabalho que ele conseguiu realizar.. olha.. precisamos tirar o chapéu...

O Maestro Neschling volta a regência na sinfonia... obra mais uma vez é extremamente rítmica e a percussão dá um verdadeiro show. Aliás, poucas vezes vi um aparato percussivo tão grande espalhado pelo palco da Sala... e nossos percussionistas são espetaculares. Tínhamos inclusive uma moça que nunca vi, e que achei fantástica... uma precisão incrível e uma energia desconcertante.. Adorei a moça... O piano tocado do lado de fora da sala e tendo as cordas a frente foi muito emocionante. Os momentos de explosão da orquestra foram furiosos, mesmo... No ultimo movimento o Cello encerra a sinfonia com um pianíssimo tocado de maneira tão terna e suave que é quase como um suspiro que é expirado suavemente.

Bom... foi único... Pode-se até não gostar da obra e do estilo, mas não dá pra negar a grandiosidade da musica e a imensa qualidade que ela possui. Ainda mais sendo executada da maneira como foi. Uma pessoa querida que teve acesso ao próprio Corigliano comentou que ele próprio disse que foi das mais perfeitas apresentações das obras dele que ele teve oportunidade de ouvir. E é verdade... comprovamos isso observando as reações de Corigliano durante a execução... Ele ficava tomado pela musica e praticamente regia em determinados momentos... Na sexta... no final do segundo movimento da sinfonia ele estava completamente absorvido