terça-feira, 3 de abril de 2007

a música clássica na china

"Com a mesma energia, motivação e peso populacional que a transformaram em um poder econômico, a China tornou-se uma força considerável da música clássica. Os conservatórios estão transbordando. As províncias pedem por orquestras e salas de concerto. Pianos e violinos feitos no país enchem contêiners na saída dos portos. O entusiasmo chinês sugere potencial para um mercado crescente de música gravada e performances ao vivo ao mesmo tempo em que uma base de fãs envelhecida e a queda na venda de CDs preocupam tantos profissionais na Europa e nos Estados Unidos", escrevem Joseph Kahn e Daniel J. Wakin em texto publicado no "New York Times" sobre a música clássica na China, ilustrado com gravações em vídeo e áudio.

4 comentários:

pedrita disse...

gostaria de conhecer essas obras. estávamos sentindo falta dos seus posts. beijos, pedrita

Renato Mesquita disse...

Eu sinto que há mais enigmas nesse milagre chinês do que os três que os estrangeiros eram obrigados a responder ( e se não respondessem eram degolados)para a princesa Turandot.

Ainda pertenço à velha escola que considera a música ocidental -aquela que vai de Bach à 1a metade do século XX - um fenômeno da cultura européia e, portanto, limitado ou obscuro às demais culturas, sobretudo àquelas tipicamente não-européias ( caso da Ásia, p.ex.).

Acho que há muito de modismo e pragmatismo nessa erupção musical. Se é assim, por que não nas demais artes? Não seria essa uma forma da nova burguesia, capitalista, firmar-se socialmente, negando as suas raízes? Por um lado é muito cômodo(quousque tandem)para a decadente indústria cultural ocidental incentivar esse mercado fabuloso e despejar nele o que não consegue mais aqui entre nós.

será que haverá consistência e auto-sustentação, ao longo dos anos, nesse vulcão ?

Lauro Machado disse...

Um indício claro desse modismo, Renato, é a aparição de artistas que atraem pelo exotismo, impressionam pelo aspecto pirotécnico de um virtuosismo sem maior sustentação na musicalidade,e aos quais falta justamente aquela vivência -- a tradição -- que gera o que o autor da resenha do "Guardian" sobre o livro do Lebrecht chama de "continuidade interpretativa". Um exemplo típico disso é o Lang Lang. Como se costuma dizer aí na nossa terra: "Por fora, bela viola. Por dentro, pão bolorento."

Anônimo disse...

Não creio nas observações dos dois colegas. Lugares de cultura decadente como o Brasil também geraram grandes compositores e músicos.

O ocidente, principalmente a Europa, há muito tempo vem perdendo o interesse pela grande arte(vá num concerto em qualquer sala na europa, e só verá uma mar de cabelos brancos; o número de cds de música clássica vendido é insignificante, no Brasil nem existe...), então é ótimo ver o entusiamo dos jovens chineses pela grande música, quem sabe ela pode sobreviver nas salas de concertos por mais alguns séculos.