terça-feira, 10 de abril de 2007

o navio fantasma em manaus

O jornalista Irineu Franco Perpétuo publica hoje na Folha uma entrevista com o diretor alemão Christoph Schlingensief, que assina a concepção do “Navio Fantasma” de Wagner que abre no dia 22 a nova edição do Festival Amazonas de Ópera (a regência é de Luiz Fernando Malheiro). Para quem não tem acesso ao UOL, a descrição do espetáculo como transcrita pelo Irineu: “O primeiro ato evoca Saló, filme de Pasolini ambientado nos estertores do fascismo italiano; o segundo é uma catedral subterrânea, em que fiandeiras fazem bolas de borracha, enquanto o derradeiro traz um navio encalhado. O protagonista, um pirata holandês condenado a navegar eternamente até encontrar um amor que o redima, está caracterizado como Nosferatu. Senta, sua amada, traz um casulo, símbolo da redenção, enquanto Daland, o sogro, é um pastor evangélico”. Polêmicas à vista... E estaremos por lá para contar tudo em detalhes. A propósito: Schlingensief foi responsável pelo "Parsifal" de 2004, aquele em que a ação se passava na Namíbia (leia aqui a crítica do New York Times).

3 comentários:

Lauro Machado disse...

Na realidade, pode-se esperar tudo quando se lembra que, em Manaus, foi apresentada uma "Norma" em que a sacerdotisa druida matava os filhos -- quando se sabe que Bellini pediu a Romani que modificasse a intriga da tragédia de Alexandre Soumet, pois NÃO QUERIA que a história ficasse se parecendo com a da Medéia, que já tinha sido tratada por Cherubini, Pacini, Mercadante e outros. E no fim dessa montagem, depois de pedir a Oroveso que cuide de seus filhos que, a essa altura, estão mortinhos da silva, em vez de morrer na fogueira com o arrependido Pollione, Norma se mata com o punhal de seu amante romano. E Pollione? Este, provavelmente, volta a pé para seu acampamento, de mão no bolso e chutando pedrinha.
Sei que estou ficando velho e fora de moda, mas como eu gostaria que os libretistas pelo menos lessem o libreto antes de ter idéias.

Agora, só me digam uma coisa: o que vai acompanhar quando a bateria da escola de samba entrar num palco do tamanho do Teatro Amazonas? Quem vai conseguir ouvir a música do Ricardinho?
Essa vai sobrar para o João Luiz, pois não poderei comparecer à abertura do Festival.

Renato Mesquita disse...

sinto imenso não poder estar em Manaus nas récitas do Navio Fantasma; achei absolutamente apropriada a idéia de as fiandeiras tecerem bolas de borracha, tal e qual se fazia a trocentos anos atrás pelos seringueiros que enrolavam a seiva da seringa em enormes e mal-cheirosas bolas para serem exportadas, e isso tudo dentro de uma catedral, certamente gótica, na qual o pastor Daland prega à sua congregação uma vida morigerada e virtuosa, interrompida pela presença de um ...vampiro!!!!

É uma lição de geoagrohistoreligiogoticoetica sem precedentes!!!

Bis!, Bis!!, BIS!!!!!!

PQP!!!!

Lauro Machado disse...

Para quem me descreveu, outro dia, um "Così fan tutte" inacreditável de Salzburgo;
para quem me mostrou, uma vez, um "Rosenkavalier" em que as personagens, no último ato, vestem-se de insetos (sem falar no do Robert Carstens, com sua grotesca cena passada num bordel, que deixaria Egon Schiele envergonhado);
para quem dormiu no meio daquele soporífero "Les Palladins" aeróbico de Paris;
você já deveria estar anestesiado, Renato.
A minha receita é simples mas eficiente: cada vez que eu vejo uma coisa dessas, assisto de novo a uma das montagens do Ponnelle, para limpar as idéias.
Quanto a seu PQP, assino em baixo. Quod erat demonstrandum.