sexta-feira, 13 de abril de 2007

no metrô

O que você acha que aconteceria se um violinista de sucesso se fantasiasse de músico de rua e fosse tocar incógnito em uma estação de metrô? Seria reconhecido? Quantas pessoas parariam para ouvi-lo? Quanto dinheiro ele conseguiria? O Washington Post fez a pergunta a maestros e músicos. E colocou Joshua Bell em uma estação da capital americana para tirar a prova. O resultado da experiência você encontra aqui.

4 comentários:

Lauro Machado disse...

Vi uma vez, na TV-Cinq, um filme francês chamado, se não me engano, "Le Violon", história de um violinista que, cansado de fazer carreira em salas de concerto, tocando para platéias endinheiradas, chuta o balde e vai tocar no metrô: e há uma longa seqüência em que ele deixa todo mundo transfigurado -- a começar pelos sem-teto que se abrigam nos corredores do metrô -- tocando para eles a Chacona da Partita nº 3 de Bach. A julgar pela experiência do Jonathan Bell, essa é uma situação que só existe em cabeça de cineasta europeu.
Uma outra coisa: não é interessante que as pessoas deixem simplesmente de prestar atenção na qualidade do instrumentista a partir do momento em que o vêem sem casaca e longe dos dourados de um teatro onde, para vê-lo, é preciso pagar muito caro?

joãosampaio disse...

pois é, lauro, não vou nem dizer que seria assunto para um livro porque acho que ele já existe. mas é muito interessante a sociologia/antropologia que se pode fazer da atmosfera de uma sala de concertos. o que, de alguma forma, se relaciona com a história da joyce hatto - ali também não se deixou aspectos extra-musicais interferirem no julgamento que se fez de seu trabalho?

Lauro Machado disse...

Você tem razão: as pessoas julgam muito a partir de rótulos e, de jeans e despenteado, sem o rótulo da casaca e dos veludos vermelhos, Bell estava sem rótulo.
Agora, o autor do artigo tem razão ao dizer que ninguém pára quando está com pressa, voltando para casa. É diferente de ir passear na Praça da Paz, do Ibirapuera, e ouvir um concerto.

Luciana disse...

Oi meninos
uma das questões que sempre me fazem pensar é bem essa: até que ponto a arte é apreciada na dependência do contexto? Se uma gravura de Picasso fosse rabiscada em grafitti numa parede ou se uma mendiga cantasse na rua como Tebaldi...? Ali no metrô, além do rush, o que se julgava era basicamente a capacidade de perceber a qualidade (porque há músicos no metrô, essa situação em si não é singular) e quem passa avoado para não se atrasar para o trabalho realmente não ouve nada. Queria muito fazer essa experiência aqui no Rio - até porque já vi situações como de uma gravação na praça, com um quarteto de cordas tocando Radamés, e juntar uma pequena multidão sem nem saber que música era aquela.